O Nazista legal, e nossas “Frases de Estimação”

Acredite, mas existe o Nazista legal, e geralmente ele é nosso amigo, ou, se não muito amigo, pelo menos alguém cujo convívio é tão divertido que é válido brincar com sua própria ideologia de vida.


O Nazista legal, sempre ao destilar simpático ódio de classe, ele inicia a frase com “Vocês vão até dizer que eu sou Nazista, mas aqueles (índios/negros/gays/refugiados) eles deviam tudo…”, e aí surge a frase de efeito! De efeito destrutivo, no geral.

Porém, o que o torna simpático e Nazista legal, é justamente o fato de que ele é muito legal, e as opiniões dele, são colocadas de forma bem humorada, na qual o fundo continua sendo o ódio, mas parece um verdadeiro tom de brincadeira.

Entretanto, a esquerda também não perde a oportunidade de brincar com sua condição de bolivarianista/marxista/comunista/ e mesmo que o que o esquerdista mais sonha seja a implantação de uma república/américa bolivarianista, ele vai falar isso brincando, como fosse algo absurdo.

E é nesse misto de bem-viver-com-o-outro que surge como amigavelmente possível a convivência tolerável entre os Esquerdistas e os Nazistas legais, onde o diálogo não chega a existir, mas a exposição das ideias de um e de outro, são expostos como auto-piadas.

O fato é que, independente se os esquerdistas têm bandidos de estimação e se os direitistas são os bichinhos de estimação de seus bandidos favoritos, ambos os lados aprofundaram suas narrativas em “frases de estimação”, na qual, as acusações se multiplicam na mesma proporção em que se repetem e, por isso, a narrativa global de todo o contexto se enfraquece (e muito) ao ponto de formar uma esquerda e uma direita fraca em seus discursos, e rasos no aprofundamento de suas próprias ideologias.

Ocorre que, em termos de humanidade, conhecimento e informação, a esquerda está anos luz a frente das ideologias de extrema-direita, e isso – em tese – nem se discute, mas só a exemplo de fundamentação, isso torna-se visível quando uma bandeira do Japão é confundida com um símbolo comunista, ou quando descendentes de europeus “exigem” que negros voltem pra África.

Entretanto, é necessário – à própria esquerda – um aprimoramento e aprofundamento em suas próprias convicções para que não venhamos a ter – meramente – Esquerdistas legaizinhos.

Mesmo porque, a argumentação de esquerda não é, e não deve ser dirigida aos adeptos das ideologias de extrema-direita, mas sim, a parcelas da população que estão permanentemente formando suas opiniões e suas visões e mundo.Nunca é demais lembrar que o “barulho” da extrema-direita é muito maior do que sua própria quantidade de adeptos, tratando-se de verdadeiras arapongas que, mesmo sendo uma só, seus gritos ecoam a longas distâncias, e para alguém que esteja distraído, pode-se acreditar que tratar-se de muitas arapongas.

É mais que urgente, que haja uma qualificação argumentativa, embasada em conhecimentos técnicos e históricos, a fim de cativar e demonstrar a realidade em que vivemos através de narrativas firmes e incontestáveis, no sentido de não restar outra saída, aos Nazistas legais, em serem, apenas, Nazistas legaizinhos.

Escrito por Fernando Rodrigo. Advogado e colunista jurídico do Contra Ponto.