Gabriel O Pensador libera parte 2 da polêmica música “Tô Feliz (Matei o Presidente)”

Era meia-noite do dia 19 de outubro de 2017, e o rapper Gabriel O Pensador liberava no youtube seu novo hit.

Mas voltando um pouco no tempo; O dia 3 de agosto de 1988 é considerado o dia do “fim da censura no Brasil” pois nesta data a Assembleia Constituinte votou o texto da Constituição que determina que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.”.


Entretanto, após essa data, já em 1992, O Pensador viu seu single Tô Feliz (Matei o Presidente) – uma singela homenagem ao então Presidente Fernando Collor – ser censurado e, passados vinte e cinco anos, aquele menino de 18 anos, hoje palestrante – e vencedor do Prêmio Jabuti de 2006 (com o livro infantil Um Garoto Chamado Roberto) – relança a música “Tô Feliz (Matei o Presidente)” com roupagem atual, direcionada ao Sr. Michel Temer que, inclusive, na música é chamado de vampiro.

A música começa com Gabriel chegando numa tribo indígena, pois foi justamente o descaso com a região amazônica, após liberação de uma área para mineração, que acendeu o estopim para a criação desse novo desabafo.

“Todo mundo bateu palma quando o corpo caiu, eu acabava de matar o Presidente do Brasil”.

Ocorre que essa canção ressurge e mata o Presidente justamente no momento em que – aparentemente – esse é o desejo interno do inconsciente coletivo da nação.

Os sucessivos escândalos – áudio e vídeos divulgados, crime escancarado – envolvendo a quadrilha de Temer com seus aliados, somados a proteção dos deputados que freiam as denúncias contra o Presidente em troca de emendas milionárias, fez despertar na população um desejo interno de que o Sr. Temer seja cassado, politicamente, ou caçado, selvagemente.

Diante das manobras mais podres e escancaradas da cúpula do Poder, o que se passa na mente da população? Na música, pela cabeça do cantor passa o seguinte, “A criminalidade toma conta da minha mente, achei que não teria que fazê-lo novamente, mas tenho pesadelos recorrentes, o Temer na minha frente, e eu cantando “tô feliz, matei o Presidente”.


O fato é que trata-se de mera metáfora, mas quando o Gênio Pensador diz “anota o meu depoimento, me prende aqui dentro, que não quero ir pra Brasília dar um tiro no Michel. Olha que maravilha, mata mesmo esse vampiro, mas um tiro é muito pouco, Gabriel”, ele pode estar se apresentando como um intérprete das vozes sufocadas de – quase – todos os brasileiros.

O Poeta Pensador, no ápice de seu desprendimento artístico, deu vida a um grito que hoje é o grito dos bares, das universidades, das reuniões de famílias, dos salões de beleza e, enfim, é o grito que ocorre onde estiverem reunidas mais de uma pessoa, e que deve ser – urgentemente – o grito das ruas.

Agora, voltando um pouco mais no tempo; Quando da efetivação da Revolução Francesa, Robespiere pregou veementemente a morte ao Rei, e dizia que o Rei (Luiz XVI) devia morrer, para que a pátria pudesse viver.

Era uma Revolução, a Monarquia era destituída violentamente e, em seu lugar, nascia a República, onde essa ruptura impunha ao Rei a sumária condenação pela tirania monárquica exercida contra o povo.

O Brasil hoje vive sob a égide dos tiranos, o país está morto, e os tiramos bem vivos.

O Rei, seus ministros e bobos da corte, instituíram uma tirania quadrilheira nunca vista antes em toda a história de nossa República.

Na Revolução Francesa, pelas atrocidades cometidas, Robespiere dizia, “Louis não pode ser julgado; ele já foi julgado. Ele está condenado, ou, se isto não for verdade, então a soberania da República não é absoluta”, isto porque entendia que “Propor um julgamento para Louis, de qualquer forma que se faça, é voltar atrás nos nossos passos em direção ao despotismo real e constitucional. É uma idéia contra-revolucionária, já que ela submete a própria revolução a julgamento. Se Louis pode ser julgado, ele pode ser absolvido, pode ser julgado inocente.”

Vejam como nosso país retrocedeu séculos, e é muito simples perceber que estamos vivendo na mesma situação em que a França vivia antes da Grande Revolução.

Se Temer for julgado – pelo Congresso – ele poderá ser absolvido, ou seja, terá sua segunda denúncia rejeitada e seguirá ainda mais forte rumo a uma desmoralização sem volta de nosso país.

Sobre a segunda denúncia que pesa contra Temer (o Nosso Luiz XVI), a População não pode sequer permitir que o Congresso delibere sobre “aceitar” ou “não aceitar” o prosseguimento desta denúncia.

Os Deputados que tendem a “salvar” o Luiz XVI Brasileiro (Temer), devem ser destituídos do congresso, pois são os tiranos dessa Monarquia Moderna e Tosca – por eles – implantada no Brasil.

Uma denúncia já foi rejeitada, se deixarmos que rejeitem outra, pela segunda vez, estaremos insistindo no erro, e aí, como diz o ditado popular, “já é burrice”.

Gabriel O Pensador, ressurge nesse momento de absoluto caos político e dá um sacode em cada um de nós, Ele matou o presidente, e nós estamos deixando esses tiranos bem vivos e sorridentes.

A música termina assim, “o Pensador é contra violência, mas aqui a gente peca por excesso de paciência. Com o “rouba mas faz” dos verdadeiros marginais, são chamados “doutor” e “Vossa Excelência”.

É hora de entupir as ruas e o Congresso, e deixarmos de pecar por nosso excesso de paciência.

Deixo a provocação final; como ocorreu em 1992, o Pensador será novamente censurado? E consequentemente, todos nós seremos. Ou nós censuraremos o Presidente e sua Tirana-Quadrilha?

É hora de gritar: HOJE EU TÔ FELIZ….!!!

Por Fernando Rodrigo. Advogado e Colunista jurídico do Contra Ponto